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Artigos por Dr. Daniel Valpaços

 

A entorse de tornozelo, constitui a patologia traumática mais frequente no quadro desportivo e no quotidiano do cidadão português. Banalizada e desvalorizada, será das patologias músculo-esqueléticas com maior tratamento inadequado e com retoma de actividade demasiado cedo. Isto, porque a sua entorse de tornozelo não se reúne apenas à um traumatismo do pé mas condiciona de facto a sua postura e até os seus dentes. Surpreendido? No próximo artigo no site, explicaremos como a nossa pisada interfere com a instabilidade dentaria.

Alguns números : mais de 800 000 entorses em Portugal por ano, ou seja uma média de 2000 entorses/dia e cerca de 15 à 20% dos traumatismos desportivos registados.

Sem ser o Wikipedia, a definição de uma entrose de tornozelo é um traumatismo da articulação, com origem num estiramento ou de uma ruptura de ligamentos que a sustentam, geralmente externa e surgindo num mecanismo de inversão esforçada (o peso do corpo é aplicado no pé quando este não se encontra numa superfície plana e enrolado para anterior).

Todas as entorses são iguais? Existem vários graus de gravidade de entorse :

  • entorse de grau 1 : trata-se de uma simples distensão do ligamento sem laxidade ligamentar . A tumefacção é ligeira, sem instabilidade da articulação ( tipo de entorse mais frequente e com menor gravidade). A retoma da actividade física realiza-se apôs cerca de 2 semanas.
  • entorse de grau 2 : ruptura parcial do ligamento com laxidade da articulação. A tumefacção é rápida e dolorosa com retoma de actividade física apôs 3 à 6 semanas.
  • entorse de grau 3 : ruptura completa de um ou dos ligamentos atingidos com laxidade importante. A tumefacção acompanha-se de um hematoma importante, com apoio do pé quase impossível e um tornozelo muito doloroso. A intervenção cirúrgica é por vezes necessária para reconstruir os ligamentos rompidos. Imobilização durante 8 à 12 semanas.

O diagnostico : como determinar a gravidade da lesão.

            Os principais sinais de uma entorse são : inchaço, dor, equimose e dificuldade em mover o tornozelo apôs o traumatismo.

Se conseguir movimentar o seu tornozelo facilmente, é uma simples distensão muscular.

Se não o conseguir movimentar e que a articulação esta à aumentar de volume, é uma entorse :

  • de uma forma muito simples, alias definido pelos critérios de Ottawa, se não conseguir colocar o pé no chão e em apoio sobre ele, se não conseguir realizar dois passos seguidos sem reproduzir uma dor extremamente viva, sem duvida nenhuma CONSULTE !!!

Apesar de recentemente muito controverso, a primeira medida será o RICE : Rest, Ice, Compression, Elevation ou para os defensores da língua de Camões : DGCE (Descanso, Gelo, Compressão e Elevação)

Descanso do tornozelo

A primeira medida é de parar de imediato a actividade desportiva, o tornozelo não deve ser solicitado. Não caminhe sobre o pé em lesão, nem sequer para se deslocar até ao banco de suplentes ou aos vestuários : utilize canadianas ou a ajuda de companheiros.

O tornozelo devera estar ao descanso durante 24 à 48 horas para evitar que a lesão se agrave.

Gelo

O recurso de sacos de gelo ou de bombas de frio é incentivado para reduzir o inchaço e a dor. Não se esqueça de envolver o tornozelo num tecido ( uma simples t-shirt servira) antes de colocar o gelo para não criar uma queimadura pelo frio.

O melhor protocolo de tratamento pelo frio consiste em aplicar de a forma seguinte: 20 minutos de gelo, 10 min de descanso, 10 min de gelo, 10 min de descanso, 10 min de gelo ( provocando uma alternância de vasoconstrição/vasodilatação dos vasos permitindo evacuar o edema).

Realizar um strapping/ligadura ( Compressão)

A compressão vai permitir de proteger o ligamento atingido, conservando a mobilidade do tornozelo. Com uma banda, enrolem à volta do tornozelo começando pela parte plana do pé e subindo em direcção ao tornozelo com voltas sucessivas.

Esta banda de contenção deve manter o pé e o tornozelo sem apertar em demasia, caso contrario vai impedir a circulação sanguínea e aumentar a dor. No entanto, uma meia elástica semi rígida representa sempre um bom investimento para um atleta ou para uma família. Se utilizar Kinesio, optimizara a diminuição do edema, aumentado a circulação liquidiana.

Elevar o tornozelo

Durante o dia, eleva o seu tornozelo ao nível do seu tórax : mais simplesmente tente deitar a sua perna o mais possível para evitar que continue a inchar. Durante a noite, coloque o pé sobre uma almofada para que o tornozelo se encontre ligeiramente acima do resto do corpo. A elevação permite um melhor retorno venoso e facilita a evacuação do edema.

Reeducar o tornozelo

Conforme a gravidade da entorse, apôs 2 à 12 semanas de convalescença, poderá recomeçar a sua actividade desportiva. Alias, privilegiaremos, desportos como a natação, ciclismo, sendo que a descarga da articulação permite uma regeneração do tecido conjuntivo sem stress articular

Obviamente, em clínica, esse trabalho de prppriocepção realiza-se com Bosu, exercícios de estabilização dos fibulares e mais alguns nomes técnicos bárbaros ...

No entanto, seja qualquer desporto, não estará ao abrigo de uma recidiva, da qual surge a utilidade de reeducar e reforçar o tornozelo com exercícios específicos, nomeadamente em piscina.

De forma preventiva, vários atletas esperam evitar entorses e recidivas, utilizando ligaduras funcionais e meias elásticas durante a pratica desportiva sem constituir uma garantia absoluta e originando uma certa dependência e mau habito.

Estes 4 passos frente à uma entorse de tornozelo não constituem uma formação acelerada ou ovo kinder com a receita ideal para tratar uma entorse mas sim os primeiros passos para reagir frente à tal traumatismo.

A consulta de um médico, frente à sinais de gravidade e realização de exames complementares, são o primeiro passo para determinar o severidade e tratamento adequado.

Não obstante que a recuperação da entorse passara pelo descanso, fisioterapia, osteopatia (sim osteopatia e fisioterapia são complementares) sendo que o foco importante consiste na evicção da recidiva.

Nota : A Osteopatia não se substitui à consulta do seu médico e ao uso de medicamentos

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