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Artigos por Dr. Daniel Valpaços

Este síndrome corresponde à uma compressão localizada do nervo mediano ao nível do pulso. O nervo mediano é um dos 3 principais nervos da mão, oferecendo sensibilidade aos polegar, indicador, dedo maior e à metade externa do auricular (dedo mindinho), e participando à motricidade dos pequenos músculos do polegar.

De um ponto de vista anatómico :

O canal cárpico apresenta-se como um túnel situado ao nível do pulso no qual passam nervo mediano e tendões dos flexores dos dedos (9 tendões). Este túnel é inextensível, limitado posteriormente pelos pequenos ossos do pulso e anteriormente pelo ligamento anular anterior do carpo. A menor modificação deste canal vai provocar um sofrimento e transtornos no nervo mediano.

Os sinais clínicos :

Os primeiros sinais clínicos são formigueiros (parestesias) nos dedos e polegar, aparentando-se por vezes à sensações de queimaduras ou de descargas eléctricas.


Estas parestesias irão acordar o paciente durante a noite devido à sensação de inchaço e perda de sensibilidade da mão. O simples facto de movimentar a mão com movimentos sacudidos aliviam ao fim de alguns minutos. Estas sensações desagradáveis podem vir a repercutir-se no antebraço, braço e ombro.

Sem tratamento, e em caso de compresso persistente do nervo, os pequenos músculos do polegar podem paralisar-se e diminuir a força da mão. Existe apôs uma dificuldade na realização de pequenos gestos quotidianos, costura, apertar os botões de uma camisa...

De instalação progressiva geralmente, o síndrome do canal cárpico pode surgir brutalmente e atingir de repente as duas mãos (50% dos casos).

Causas :

Na maioria dos casos, trata-se de uma mulher (75%) por volta dos 50 anos, o quadro clínico por excelência; no entanto também pode atingir homens e à qualquer idade.

O síndrome do canal cárpico é dito “idiopático” (sem causa evidente) em 70% dos casos.

Porem existem factores predisponentes e favorecedores do seu aparecimento :

-          factores hormonais : diabete, disfunções de tiróide, gravidez

-          causas traumáticas : fracturas do pulso

-          insuficiência renal crónica

-          patologias reumáticas : poli artrite reumatóide, doenças inflamatórias crónicas

-          exposição profissional : actividade manual exacerbada com pequenos gestos repetitivos, a síndrome do canal cárpico faz parte das doenças profissionais.

De um ponto de vista osteopático :

O síndrome do canal  cárpico (S.C.C) é uma afecção neurológica cuja frequência tem vindo à aumentar, e padecendo demasiadamente de um tratamento cirúrgico, quando a osteopatia oferece um alivio duradouro, pelo menos na minha opinião e experiência.

Como é habito no raciocínio osteopático, considera-se o síndrome do canal carpico como uma afecção global do membro superior e não somente localizada no pulso.

O conhecimento anátomo-fisiológico leva-nos à pensar que esta disfunção neurológica conduzindo à um défice no território do nervo mediano pode ser a consequência de uma desarmonia mecânica à distancia do pulso.

O SCC não se deve então resumir à um síndrome compressivo mas sim entender-se como a sucessão de desordens mecânicas no membro superior (pulso, cotovelo, ombro, cintura escapular e coluna vertebral cervical).

Com esta visão, a anatomia é fundamental para compreender o que se passa mecanicamente e visualizar as zonas susceptíveis de causar transtorno.

O nervo mediano, aqui representado nos esquemas, toma sua origem nos buracos de conjugação das 3°, 4° e 5° vértebras cervicais, entra na formação do plexo braquial e continua seu trajecto numa zona anatomicamente favorável à bloqueios entre a clavícula e a 1° costela. Esta zona é particularmente importante em numerosos síndromes vasculares e/ou nervosos do membro superior, já que o plexo braquial é acompanhado por artérias e veias.

O trajecto do nervo mediano vai descer ao longo do braço, cotovelo e antebraço, antes de atingir o pulso e propriamente dito o canal cárpico.


Reparem que não estamos à falar de duas anatomias diferentes (principalmente para aqueles que sabem quantos punhos dissequei durante o curso de anatomia e dissecção ) mas sim de duas visões onde a Osteopatia procura o inicio da cadeia.

Por isso, o principio terapêutico é de privilegiar um funcionamento harmonioso da unidade funcional do membro superior, começando pela coluna cervical, libertação da clavícula e da primeira costela vias técnica muito suaves.

Por fim ao nível do pulso, o objectivo é de harmonizar o jogo articular entre os diferentes osso do pulso ( as duas filas do carpo e a extremidade do rádio e da ulna) para obter uma melhor circulação nervosa e vascular.

Obviamente, sem receita especifica ou protocolo definido, mas com uma avaliação especifica à cada paciente que orientara o tratamento visando à recuar ou evitar a intervenção cirúrgica.

Nota : A Osteopatia não se substitui à consulta do seu médico e ao uso de medicamentos

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