Escoliose

Escoliose : prevenção e acompanhamento do paciente

 

A osteopatia desenvolve um papel fundamental na prevenção da escoliose, nomeadamente no momento da fase de crescimento surgindo na adolescência.

A sua acção passa pelo restabelecimento do equilíbrio do corpo nas escolioses benignas e no seguimento de escolioses pluridisciplinar para minimizar os desconfortos e melhorar o dia à dia, tanto em pré cirúrgico ou em pacientes com colete.

 

O que é a escoliose ?

Uma das referencias em anatomia, biomecânica e fisiologia articular, o Dr. Albert I. Kapandji, cirurgião ortopedista, define-a da seguinte forma : “ a escoliose é uma inclinação lateral da coluna vertebral com uma rotação das vértebras”.

A escoliose surge principalmente na infância e durante a adolescência, mas pode também manifestar-se em idade adulta. Esta afecção atinge cerca de 5% da população, cujas causas são frequentemente desconhecidas ou por vezes a consequência de uma doença ou malformação; denominamos respectivamente de escoliose idiopática e secundaria.

A escoliose é a deformação permanente da coluna vertebral nas três dimensões do espaço, isto é : para cima ou para baixo, para a direita ou para a esquerda e para a frente ou para atrás. Este desvio do raque esta relacionado com a rotação das vértebras umas em relação às outras. Dessa forma, em caso de escoliose, a coluna apresenta uma torção que modifica as curvaturas normais e provoca uma gibosidade.

 

As causas da escoliose têm diversas origens que classificamos da forma seguinte :

A escoliose idiopática surge e evolui durante a infância e adolescência, é a forma de escoliose mais predominante nessa período de vida. Aparecendo de forma espontânea e sem causa conhecida, ela concerne cerca de 1% dos 8-15 anos, sendo as meninas estatisticamente 8 vezes mais afectadas.

A escoliose dita “secundaria”  ocorre na sequencia de uma patologia neuromuscular ou óssea (atingindo principalmente a coluna) ou é devida à uma malformação de nascença. No entanto, a sua prevalência é muito rara e representa menos de 1% das escolioses.

A escoliose da fase adulta esta relacionada com diversos factores, desde o desgaste exacerbado dos discos intervertebrais, uma dissimetria do membro inferior (perna mais curta) ou a fragilização óssea como a osteoporose.

 

É importante realçar que “a atitude escoliótica” não é uma escoliose.

A atitude escoliótica é um desvio da coluna vertebral causada por um desequilíbrio músculo-esquelético : uma diferença de cumprimento dos membros inferiores, uma disfunção da bacia ou do sacro, uma atitude antiálgica para compensar outra dor…

Esta atitude escoliótica é um frequente motivo de consulta em Osteopatia, principalmente porque provoca dores, ao contrario da escoliose como veremos à seguir. O tratamento, consoante os casos, baseia-se na reeducação postural, na devolução de mobilidade das charneiras da coluna, na ergonomia dos postos de trabalho e no porte de órteses plantares.

 

E como tratar a escoliose ou como percebemos “as varias” escolioses ?

O conceito terapêutico osteopatico nas escolioses estruturais baseia-se num tratamento do equilíbrio mecânico postural e das cadeias musculares.

Contudo existem indicações e contra-indicações terapêuticas :

Num adolescente diagnosticado com escoliose estrutural, devido à potencial evolução, deve-se cumprir os seguintes princípios :

-       a escoliose “verdadeira” superior à 30° compete da cirurgia ortopédica, principalmente se diagnosticada cedo na adolescência.

-       a escoliose estrutural entre 20 e 30° necessita de um tratamento por correcção ortopédica de tipo colete, denominado de colete de Milwaukee. Associado eventualmente à uma reeducação funcional e monitorização tanto clínica como radiológica todos os 6 meses.

As escolioses menores, inferiores à 20°, podem ter uma indicação de tratamento em osteopatia, na condição exclusiva de controlo radiológico de 6 em 6 meses. De facto, não existe nenhum teste preditivo da evolução, sendo obrigatório a supervisão clínica e radiológica, única forma de acompanhar a evolução clínica da gibosidade e o ângulo de Cobb. Estas escolioses são um exemplo de terapêutica multidisciplinar onde reeducação funcional e osteopatia trabalham em sinergia no sistema músculo-esquelético.

 

As atitudes escolióticas, sem patologia degenerativa discal avançada, têm uma forte indicação de tratamento em osteopatia.

 

O tratamento osteopático possui um leque variado de técnicas especificas.

Deve-se manipular a escoliose?

Para os neófitos, a manipulação corresponde à correcção da mobilidade articular onde se produz um  ligeiro “estalido”, à não confundir com a expressão “algo fora do sitio”. Alias um osso “fora do sitio” é uma luxação!

Nos casos de escoliose, a resposta é SIM.

Sim para as disfunções crónicas dos pivots de arco das contra-curvaturas da coluna, para as vértebras de ápice numa ideia de equilíbrio esquelético.

 

 

Abordagem técnica em osteopatia da escoliose

A ou as curvaturas escolióticas principais não devem ser alvo de manipulações estruturais pelo carácter anatómico da deformação. Contudo, efectua-se um trabalho mio tensivo, sobre o sistema muscular : os músculos do lado concave sendo retraídos e fortes, os do lado convexo sendo estirados e fracos. O objectivo é de favorecer um “despertar” proprioceptivo destes músculos e um reequilíbrio.

Para isso melhora-se a extensibilidade dos músculos da concavidade, espinhosos, latíssimo dorsal e ílio costal, através de estiramentos rítmicos e contracção-relaxamento. Conjuntamente, tonifica-se os músculos da concavidade e inter-espinhosos com técnicas isotónicas.

 

Como a osteopatia, não se restringe ao tratamento local, numa abordagem global, é fundamentar avaliar e tratar as tensões das cadeias musculares estáticas, cujos alguns elementos retraídos e assimétricos, desenvolvem um papel de desequilíbrio no tronco.

De resto o equilíbrio da cabeça aos pés ou dos pés à cabeça é importante na estabilidade funcional no corpo, ou seja a avaliação e/ou correcção dos elementos envolventes na nossa postura : o apoio podal, a coluna cervical, a ATM...

 

 

Os campos de acção da osteopatia no seguimento e tratamento da escoliose é vasto. Permite essencialmente, apôs um balanço clínico e radiológico, de libertar zonas de adaptação e compensação e de melhorar a propriocepção muscular local. No adulto, proporciona-se um tratamento das dores mecânicas à distancia que acompanham a escoliose e o desequilíbrio estático : aumentando assim a tolerância funcional.

 

 

Nota : A Osteopatia não se substitui à consulta do seu médico e ao uso de medicamentos

  

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