7 lesões da corrida

Fruto da crise e da promoção de hábitos de vida saudável, nos últimos anos tornou-se um fenómeno de moda a corrida ao ar livre. Entre a liberdade de praticar onde e quando se quer, os benefícios físicos e mentais, único pormenor nefasto : a corrida é mais que sujeita à lesões. Os diferentes estudos sobre a modalidade revelam que cerca de 80% dos “runners” se lesionam durante o ano, não sendo um motivo para banir a sua corrida regular. Monitoriza-se todos os seus desempenhos na aplicação do seu smartfone, investiu numa sapatilhas sofisticadas e coloridas, o seu vestuário desportivo regula a sua temperatura corporal, contudo a maioria das lesões esta relacionada com o cansaço muscular, tendinoso e articular. Eis um breve panorama no horizonte das mais frequentes lesões e da sua prevenção.

 

O síndrome femoro-rotuliano : capa de jornais pelo nosso Cr7 no mundial do Brasil em 2014 identifica-se como uma dor localizada à circunferência da rotula ou patella na parte anterior do joelho, isso de forma aguda e quase permanente.

Particularidade desta patologia, os primeiros sinais clínicos manifestam-se apôs o esforço, durante a fase de repouso. Contudo a cronicidade intensifica a sintomatologia e surge durante a actividade. Este síndrome esta relacionado com a hiper solicitação da articulação e com os impactos repetitivos ao solo. Numa 1° fase é obviamente recomendado a diminuição de esforço que pode ser associado à implementação de strapping, anti-inflamatórios, analgésicos. De um ponto de vista osteopático, existe um leque de causas possíveis: desde a dissimetria do membro inferior, a diminuição de mobilidade da articulação tíbiotársica, desequilíbrio do tonus muscular ...

            A lesão do tendão de Aquiles : numerosos fatores podem afectar a extensão ou distensão deste tendão situado na parte posterior do tornozelo. Começando pelos quilómetros infligidos, uma calçado inadequado, passando pelo piso de corrida e pela musculatura insuficiente. Nao obstante que uma disfunção músculo-esquelética à distancia ou localmente pode vir à ser a origem de uma lesão de Aquiles. De facto o equilíbrio do pé deve-se à repartição das forças exercidas pelo corpo e pelo solo seguindo as linhas de gravidade do nosso organismo. Aula de biomecânica à parte, um desequilíbrio das cadeias musculares e/ou articulares perturba o alinhamento e desempenho do tendão de Aquiles. Opção sensata : fugir dos terrenos acidentados que podem favorecer o aparecimento de tendinite, tema que já abordamos no site em http://www.osteopataportugal.pt/index.php/artigos-publicacoes/na-imprensa/item/102-tendinite-e-osteopatia#.VQMWjEKPqmp 

             A fascite plantar : ou demoninada de aponevrosite é u é uma afecção do pé causada pelo estiramento ou pela ruptura da fascia plantar, membrana fibrosa que vai do osso do calcanhar  até à base dos dedos do pé. Essa membrana consiste, de certa forma, num suporte, numa almofada para o pé. Mais uma vez, o excesso de esforço ou as sapatilhas são uma das principais causas. Os alongamentos, o gelo, o auxilio da podologia, a reorganização do sistema articular são os melhores aliados para tratar esta inflamação da fascia.

            A periostite : lesão característica da corrida e principalmente dos maratonianos. Trata-se de uma dor surda e insistente ao nível da tíbia, hiper localizada e pós esforço. A periostite ocorre directamente de uma tensão muscular excessiva ou de uma repetição de choques repetitivos próprios do running.

A entorse de tornozelo : a patologia traumática mais frequente e possivelmente a menos bem tratada. Com mais de 800 000 entorses em Portugal por ano, representa uma média de 2000 entorses/dia e cerca de 15 à 20% dos traumatismos desportivos. A entorse define-se por um traumatismo da articulação, com origem num estiramento ou de uma ruptura de ligamentos que a sustentam, geralmente externa e surgindo num mecanismo de inversão esforçada (o peso do corpo é aplicado no pé quando este não se encontra numa superfície plana e enrolado para anterior). Existem vários graus de gravidade de entorse :

            Os sinais de uma entorse são : inchaço, dor, equimose e dificuldade em mover o tornozelo apôs o traumatismo.

Se conseguir movimentar o seu tornozelo facilmente, é uma simples distensão muscular.

Se não o conseguir  movimentar que a articulação inchar, é uma entorse :

-       de uma forma muito simples, alias definido pelos critérios de Ottawa, se não conseguir colocar o pé no chão e em apoio sobre ele, se não conseguir realizar dois passos seguidos sem reproduzir uma  dor extremamente viva, sem duvida nenhuma CONSULTE !!!

Em caso de simples distensão trate o tornozelo por si próprio.

O protocolo de tratamento aconselhado por numerosos médicos e entidades de saúde, consiste em : DGCE (Descanso, Gelo, Compressão e Elevação)

Descanso do tornozelo

A primeira medida é de parar de imediato a actividade desportiva, o tornozelo não deve ser solicitado. Não caminhe sobre o pé em lesão, nem sequer para se deslocar até ao banco de suplentes ou aos vestuários : utilize canadianas ou a ajuda de companheiros.

O tornozelo devera estar ao descanso durante 24 à 48 horas para evitar que a lesão se agrave.

Gelo

O recurso de sacos de gelo ou de bombas de frio é incentivado para reduzir o inchaço e a dor. Não se esqueça de envolver o tornozelo num tecido ( uma simples t-shirt servira) antes de colocar o gelo para não criar uma queimadura pelo frio.

O melhor protocolo de tratamento pelo frio consiste em aplicar de a forma seguinte: 20 minutos de gelo, 10 min de descanso, 10 min de gelo, 10 min de descanso, 10 min de gelo ( provocando uma alternância de vasoconstrição/vasodilatação dos vasos permitindo evacuar o edema).

Realizar um strapping ( Compressão)

A compressão vai permitir de proteger o ligamento atingido, conservando a mobilidade do tornozelo. Com uma banda, de tipo Elastoplast, enrolem à volta do tornozelo começando pela parte plana do pé e subindo em direcção ao tornozelo com voltas sucessivas.

Esta banda de contenção deve manter o pé e o tornozelo sem apertar em demasia, caso contrario vai impedir a circulação sanguínea e aumentar a dor. No entanto, uma meia elástica semi rígida representa sempre um bom investimento para um atleta ou para uma família.

Elevar o tornozelo

Durante o dia, eleva o seu tornozelo ao nível do seu tórax : mais simplesmente tente deitar a sua perna o mais possível para evitar que continue a inchar. Durante a noite, coloque o pé sobre uma almofada para que o tornozelo se encontre ligeiramente acima do resto do corpo. A elevação permite um melhor retorno venoso e facilita a evacuação do edema.

Reeducar o tornozelo

Conforme a gravidade da entorse, apôs 2 à 12 semanas de convalescença, poderá recomeçar a sua actividade desportiva. Alias, privilegiaremos, desportos como a natação, ciclismo ou jogging, apresentando menos choques que basquetebol, futebol, râguebi necessitando de mais descanso.

A síndrome da banda ílio tibial : a dor reside ao nível do compartimento externo do joelho, irradiando por vezes ao longo da face externa da coxa. Surge apôs o esforço e instala-se de forma progressiva. É recomendado um alongamento muscular e uma alteração dos exercícios físicos de forma à diminuir a solicitação, em complemento de anti-inflamatórios, gels, pomadas...

  A tendinite do joelho : patologia comum dos maratonistas, é provocada por esforços exagerados. De facto, é a origem de cada uma das lesões que referimos, todavia numa articulação complexa e num sistema articular peculiar. A hiper solicitação ligamentar é fruto de uma lacuna muscular, de um défice nomeadamente do quadriceps e dos isquiotíbiais.

 

De facto, nesta lista não exaustiva del esões frequentes na corrida, as causas são relativamente similares. A sobrecarga nos sistema tendinoso e muscular representam uma etiologia constante. Contudo é necessário relembrar a estreita ligação entre o sistema articular e os restantes. Uma instabilidade esquelética potencializa o aparecimento de lesões no membro inferior, fragilizando músculos e tendões e causando adaptações, compensações e modificações anatómicas. Fisioterapia, podologia, nutrição desportiva, ortopedia e osteopatia são os parceiros preponderantes para um exercício saudável à longo prazo. Boa corrida... 

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