Os saltos altos : objecto de sedução ou de tortura ?

Publicado na revista Zen n° 75 de Abril 2015

No arsenal de sedução feminina, os saltos altos são incontornáveis.

Objectos de culto, de colecção, adaptados ao guarda fato de cada dia, os tacões são o símbolo da elegância.

Uma perna mais alongada, uns centímetros à mais, uma sensação de feminilidade absoluta, contudo os saltos altos também são responsáveis por dores de costas e outros transtornos.

Dividida entre moda e saúde, eis um artigo que respondera à suas duvidas na escolha das suas próximas jóias para os pés. “É preciso sofrer para bela ser”, mas à que preço?

 

Uma arma de sedução

Para as amantes do talão agulha, tudo é questão de aparência e de dar valor às formas femininas. Os saltos altos definem, afinam as pernas, acrescentam uns centímetros extra, oferecem uma postura refinada acentuando a curvatura das costas e tantos outros motivos que determinam que 64% das mulheres consideram os tacões como uma arma letal em matéria de atracção.

De facto este estudo de 2010 também revela que 3 em 10 mulheres consideram os saltos altos como um objecto de tortura. Entre a instabilidade, o andar desajeitado, as empolas, os pés em lastima ao final do dia, caminhar com saltos altos é um exercício arriscado.

Isto sem falar das nossas calçadas portuguesas, inimigo numero 1 dos agulhas, stilettos  ...

 

Inadequado dos pés às costas

Os saltos altos alteram a estabilidade de apoio do pé no solo, levando o corpo para a frente. Uma das primeiras consequências é a compensação da coluna vertebral, aumentando a curvatura lombar e respectivas tensões, solicitações na coluna, no disco intervertebral e nos ligamentos. Por outra parte, a modificação postural do pé solicita uma adaptação dos sistema musculares podal e da perna, levando a um encurtamento dos músculos e do próprio tendão de Aquiles. Com o tempo a barriga da perna encolhe, o que torna a andada descalça dolorosa : é frequente em consultório assistir à relatos de senhoras em idade avançada que usaram tacões ao longo da vida, não conseguirem andar em salto raso sem dores.

De um ponto de vista global, estes sucessivos encurtamentos da cadeia posterior modificam o posicionamento da bacia e exigem adaptações e compensações de toda a coluna vertebral.

Todavia, os inconvenientes dos tacões não se restringem à coluna : ao caminhar com saltos altos, para se manter direita a articulação da anca é forçada à colocar-se numa posição de hiperextensão. Atitude antifisiológica e prejudicial em casos de artrose coxo femoral : de facto para libertar as pressões na anca, os doentes tendem à flectir a perna.

O mesmo critério aplica-se ao joelho, a imposição de uma flexão permanente provoca uma hiperpressão entre a rotula e o fémur.

Localmente, os saltos altos são nefastos para o ante pé. Na pratica, quando o pé desliza  no sapato, o apoio efectua-se somente na parte anterior do pé, uma superfície demasiadamente restrita para as pressões e tensões, ocasionando dores que denominamos de metatarsalgias. Este palavrão médico traduz-se numas dores por hiperpressão de tipo vermelhidão, queimaduras, descargas eléctricas em casos de neurinoma de Morton. Tudo isso sem esquecer o desenvolvimento de empolas, calos, e deformações anatómicas como o hallux valgus, mais conhecido por joanete.

 

 

Stilleto, compensados, como escolher ?

 

Para todas as Carry Bradshaw do “Sexo e a Cidade” que lêem este artigo e para o homem que o escreve, a solução não é abandonar os saltos dentro do armário. Alias porque não existe substituto sedutivo à altura! Consenso é a palavra-chave.

Pode perfeitamente usar tacões durante uma saída à noite, um jantar mas que devera compensar pelo porte alternado de sapatos rasos de forma à diminuir os efeitos nefastos.

Nas eleitas tarde de shopping, considere três aspecto fundamentais para a sua estabilidade corporal : altura, posição e diâmetro do tacão.

O ideal, recomendado e incentivado pelo corpo médico, é o sapato com salto de 3 à 4 cm e uma largura superior à 2cm. De facto os tacões agulhas, alem da altura gerem instabilidade por serem finos e requerem uma posição particular para caminhar : a receita ideal para uma entorse.

Os sapatos compensados são uma óptima alternativa, aliando estabilidade e tendência de moda. Contudo devera optar por uma curvatura do calçado adoptada ao seu pé.

É de salientar e acentuar a escolha para as adolescentes. A coluna vertebral e a bacia das meninas solidificam-se perto dos 17-18 anos, pelo qual antes desta idade é fortemente desaconselhado o uso de saltos altos. Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo comprava que os danos pelos saltos altos durante a fase de crescimento provocam desalinhamento postural e transtornos no equilíbrio músculo-esquelético.

 

sapatos-vermelhos-71.jpgSapatos-que-toda-mulher-gosta.jpgSalto-Alto-X-Dores-Nas-Costas.jpg

 

-       A sua forma de caminhar é importante. Uma marcha correcta baseia-se na sequencia perfeita de calcanhar, borda lateral do pé e depois o dedo maior (hallux). Se não tem por habito de andar pelas alturas, desfile em casa para se habituar aos saltos altos

-       A sua actividade física também conta. Se o ginásio e caminhadas, não fazem parte do seu vocabulário, faça exercícios e alongamentos das pernas antes e depois de chegar.

-       Aumente o retorno venoso nos seus pés. Durante a noite ou no sofá, coloque as pernas numa superfície mais alta para que fiquem elevadas de forma à estimular a circulação.

-       Palmilhas, silicone, use gadjets para diminuir o impacto da marcha no pé

-       Depois de uma longa noite de tacão, coloque os seus pés em agua quente para relaxarem ou aplique bolsas de gelo para desinflamarem.

-       Compre os seus sapatos perto do final do dia para se certificar do conforto em qualquer circunstancia. Os pés tendem em inchar ao longo do dia, o que pode tornar o seu calçado demasiado apertado, modificando a sua marcha e repercutindo-se em transtornos físicos.

-       Alterne diariamente de sapatos, desde o tacão, ao compensado, ao sapato raso, sapatilha, salto intermédio. Contudo, se as dores persistirem, procure conselho junto do seu médico. 

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