Osteopatia e desporto

O “atleta”, mais que os outros pacientes, solicita fisicamente o seu corpo além dos limites habituais, tanto no desporto de lazer como na alta competição. Desportista amador ou de alto nível, ambos tem um objectivo comum : “preservar seu organismo”, prevenindo traumatismos e lesões sejam musculares ou articulares, optimizando as performances físicas e diminuindo o tempo de recuperação depois do esforço .

A osteopatia desportiva, não é nenhuma corrente teórica e ainda menos uma subcategoria da osteopatia, é somente uma pratica especializada comprovada no meu caso por um “post-graduate” em França. Alias, para mim e muitos colegas osteopatas franceses, a mediatização da osteopatia no desporto deve-se à um ex jogador de futebol profissional Zinedine Zidane. Jogador, que na conferencia de imprensa à seguir à vitoria do campeonato do mundo de futebol em 1998 contra o Brasil pela França revela : ” devo em grande parte a minha presença na final ao meu osteopata Philippe Boixel que consultei todos os dias antes de este jogo”.

Concretamente, a osteopatia desportiva, responde à três grandes pedidos pelos atletas:

  • O mais frequente: “dói me aqui e tenho uma competição dentro de dois dias”. O carácter urgente da consulta, pede a utilização de um vasto leque de técnicas manipulativas ( estruturais, mio tensivas, fasciais, funcionais) para tratar essa disfunção aguda e faze-la desaparecer. Neste caso, falamos de tendinites, inflamações locais, lombalgias agudas, contraturas, pubalgias, entorses, tendinites, torcicolos e a lista seria longa...

       Objectivo: Restabelecer a mobilidade e permitir o gesto técnico sem dor e sem lesar o organismo.

  • O preventivo: “ O meu objectivo é ganhar esta prova dentro de dois meses, quero estar nessa data ao topo”. Esse tipo de pedido requer um visão global do corpo humano. Devemos ter em mente, que o corpo de um atleta é comparável a um sistema relojoeiro onde o grão de areia mais leve interfere no próprio desempenho e funcionamento. O osteopata do desporto intervirá sobre a “mecânica das cadeias musculares” corrigindo um ou vários gestos menos adaptados ou capazes de comprometer o equilíbrio e a estrutura do corpo. Devolvera também mobilidade às estruturas, há muito num bloqueio crónico que tenham passado despercebidas ou que o corpo já terá compensado. Confesso que é a abordagem e objectivo mais apaixonante do osteopata do desporto. Sendo também diplomado em biomecânica da saúde, utilizo muito a metáfora do atleta de alto nível e da formula 1, que necessita de uma manutenção de alta precisão para manter as estruturas oleadas e equilibradas.

 

  • O equilíbrio saúde: Ganhei, estou satisfeito do meu desempenho mas necessito recuperar rapidamente para angariar mais sucessos”. O atleta forneceu o seu máximo para alcançar os seus objectivos mas precisa de regressar o mais rápido possível à competição. Marcas desse esforço permanecem na “maquinaria energética”, nos sistemas respiratórios, cardiovasculares, digestivos, urinários, músculo-esqueléticos e viscerais. Nesse período de recuperação, a osteopatia preocuparar-se-ha da globalidade do sistema visceral assegurando a sua drenagem e vigiara zonas anatómicas importantes : o fígado, órgão critico do metabolismo intermédio e de produção energética, o rim responsável pela homeostasia e os pulmões responsáveis pelo mecanismo O2/CO2. Obviamente, a recuperação muscular terá uma importância preponderante no equilíbrio do organismo, tanto como o aspecto psicológico e emocional no desejo de ultrapassar todos os recordes, tempos ou vitorias, omnipresentes na mente dum atleta.

No meu percurso e acompanhamento de atletas de alto nível, acrescentaria mais um tipo de pedido ao qual tenho recebido imensas solicitações. Biomecânica e osteopatia, ao serviço do treino e do aperfeiçoamento técnico : dissecar, analisar os movimentos e material para aumentar o rendimento da força muscular e melhorar o desempenho.
Não alimentando o desentendimento medicina alternativa/medicina convencional, ao qual me questiono ainda pois ao meu conhecimento só existe um corpo humano; é de salientar que os resultados da osteopatia no desporto combinam de um perfeito entendimento entre médico do desporto, fisioterapeuta, treinador e atores da vida do atleta. As minhas intervenções em clubes de futebol de elite, no ténis, na natação e motociclismo são frutos de um trabalho árduo com médicos especialistas no desporto comprovando as decisões terapêuticas pela anatomia e fisiologia do organismo.
Os atletas, essas formulas 1 já referidas, encontram no osteopata do desporto um “mecânico responsável pela “vistoria”, detectando e prevendo futuras avarias, ajudando na limpeza orgânica apôs competição.
Os seguimento osteopático assegura os meios necessários a gestão do corpo, instrumento da pratica desportiva e seria justo de afirmar que a dupla osteopata/atleta aumenta a longevidade desportiva.