Entorse e Osteopatia

A entorse de tornozelo, por exemplo, representa a patologia traumática mais frequente e possivelmente a menos bem tratada.
Com mais de 800 000 entorses em Portugal por ano, representa uma média de 2000 entorses/dia e cerca de 15 à 20% dos traumatismos desportivos.
A entorse define-se por um traumatismo da articulação, com origem num estiramento ou de uma ruptura de ligamentos que a sustentam, geralmente externa e surgindo num mecanismo de inversão esforçada (o peso do corpo é aplicado no pé quando este não se encontra numa superfície plana e enrolado para anterior).

Existem vários graus de gravidade de entorse:

  • -     Entorse de 1° grau: Trata-se de uma simples distensão do ligamento sem laxidade ligamentar . A tumefacção é ligeira, sem instabilidade da articulação ( tipo de entorse mais frequente e com menor gravidade). A retoma da actividade física realiza-se apôs cerca de 2 semanas.
  • -     Entorse de 2° grau: Ruptura parcial do ligamento com laxidade da articulação. A tumefacção é rápida e dolorosa com retoma de actividade física apôs 3 à 6 semanas.
  • -     Entorse de 3° grau: Ruptura completa de um ou dos ligamentos atingidos com laxidade importante. A tumefacção acompanha-se de um hematoma importante, com apoio do pé quase impossível e um tornozelo muito doloroso. A intervenção cirúrgica é por vezes necessária para reconstruir os ligamentos rompidos. Imobilização durante 8 à 12 semanas.
Determinar a gravidade da lesão
Os sinais de uma entorse são:
  • Inchaço, dor, equimose e dificuldade em mover o tornozelo apôs o traumatismo.
  • Se conseguir movimentar o seu tornozelo facilmente, é uma simples distensão muscular.
  • Se não o conseguir movimentar que a articulação inchar, é uma entorse :
  •       De uma forma muito simples, alias definido pelos critérios de Ottawa, se não conseguir colocar o pé no chão e em apoio sobre ele, se não conseguir realizar dois passos seguidos sem reproduzir uma dor extremamente viva, sem duvida nenhuma CONSULTE !!!
Em caso de simples distensão trate o tornozelo por si próprio.
O protocolo de tratamento aconselhado por numerosos médicos e entidades de saúde, consiste em : DGCE (Descanso, Gelo, Compressão e Elevação).

Descanso do tornozelo:
A primeira medida é de parar de imediato a actividade desportiva, o tornozelo não deve ser solicitado. Não caminhe sobre o pé em lesão, nem sequer para se deslocar até ao banco de suplentes ou aos vestuários : utilize canadianas ou a ajuda de companheiros.
O tornozelo devera estar ao descanso durante 24 à 48 horas para evitar que a lesão se agrave.
Gelo.
O recurso de sacos de gelo ou de bombas de frio é incentivado para reduzir o inchaço e a dor. Não se esqueça de envolver o tornozelo num tecido ( uma simples t-shirt servira) antes de colocar o gelo para não criar uma queimadura pelo frio.
O melhor protocolo de tratamento pelo frio consiste em aplicar de a forma seguinte: 20 minutos de gelo, 10 min de descanso, 10 min de gelo, 10 min de descanso, 10 min de gelo ( provocando uma alternância de vasoconstrição/vasodilatação dos vasos permitindo evacuar o edema).
Realizar um strapping ( Compressão)
A compressão vai permitir de proteger o ligamento atingido, conservando a mobilidade do tornozelo. Com uma banda, de tipo Elastoplast, enrolem à volta do tornozelo começando pela parte plana do pé e subindo em direcção ao tornozelo com voltas sucessivas.
Esta banda de contenção deve manter o pé e o tornozelo sem apertar em demasia, caso contrario vai impedir a circulação sanguínea e aumentar a dor. No entanto, uma meia elástica semi rígida representa sempre um bom investimento para um atleta ou para uma família.
Elevar o tornozelo.
Durante o dia, eleva o seu tornozelo ao nível do seu tórax : mais simplesmente tente deitar a sua perna o mais possível para evitar que continue a inchar. Durante a noite, coloque o pé sobre uma almofada para que o tornozelo se encontre ligeiramente acima do resto do corpo. A elevação permite um melhor retorno venoso e facilita a evacuação do edema.
Reeducar o tornozelo.
Conforme a gravidade da entorse, apôs 2 à 12 semanas de convalescença, poderá recomeçar a sua actividade desportiva. Alias, privilegiaremos, desportos como a natação, ciclismo ou jogging, apresentando menos choques que basquetebol, futebol, râguebi necessitando de mais descanso.
No entanto, seja qualquer desporto, não estará ao abrigo de uma recidiva, da qual surge a utilidade de reeducar e reforçar o tornozelo com exercícios específicos, nomeadamente em piscina.
De forma preventiva, vários atletas esperam evitar entorses e recidivas, utilizando strapping preventivos e meias elásticas durante a pratica desportiva sem constituir uma garantia absoluta e originando uma certa dependência e mau habito.
Em todos os casos, obviamente que a pratica aconselhada será de consultar um osteopata para devolver mobilidade em eventuais bloqueios articulares, colocar o tornozelo no seu eixo biomecânico, restabelecer a integridade dos ligamentos e estabelecer um protocolo de reabilitação/reeducação à longo prazo.
É de salientar no tratamento de uma entorse de tornozelo, a combinação da osteopatia com o ortopedista, fisioterapeuta, podologista no âmbito de uma recuperação total, eficiente e rápida.